De acordo com a ONG socioambiental, cerca de 10% das 500 milhões de toneladas de lixo perigoso geradas por ano no mundo são transportadas por navios entre países. Isso inclui resíduos tóxicos, lixo hospitalar e outros materiais que representam riscos à saúde pública e ao meio ambiente. Os países ricos, membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico despacham 80% desse total.
Segundo o presidente do Instituto Brasil Ambiente, Sabetai Calderoni, consultor das Nações Unidas e do Banco Mundial, uma rede ilegal opera nesses países para despachar o material tóxico, cuja destinação é mais cara do que a do lixo comum. "Isso impulsiona a exportação ilegal", diz.
Geralmente nos países receptores, onde o controle alfandegário costuma ser falho, o lixo acaba em rios ou apodrece nos portos, como ocorre no Brasil com os mais de 20 contêineres contendo chumbo e cádmio, vindos da Itália, Espanha e Estados Unidos, que apodrecem no Porto de Santos há cinco anos.
Este incidente trás a tona a discussão sobre o destino final dos resíduos tóxicos, caracterizados como material descartado, geralmente na forma química, que pode causar a morte ou danos a seres vivos.
Normalmente são resíduos vindos da indústria ou comércio, porém também pode ter resíduos residenciais, da agricultura, militar, hospitalar, fontes radioativas bem como lavanderias e tinturarias.
No Brasil, apesar de não haverem dados atualizados, estima-se que o percentual de resíduos sólidos jogados a céu aberto aumentou em 10% desde 1989.
Muito embora a coleta atinja 73% dos domicílios, apenas 1% de todo o resíduo sólido urbano recolhido diariamente no país (300 mil toneladas, das quais 100 mil toneladas domésticas) recebe alguma forma de tratamento, compostagem, reciclagem ou incineração.
Destes materiais, o de maior relevância em nosso meio é o lixo hospitalar, que apresenta riscos e dificuldades especiais no seu manuseio devido ao caráter infectante de alguns de seus componentes.
Além disso, apresentam uma grande heterogeneidade e a presença freqüente de objetos perfurantes e cortantes e, ainda quantidades menores de substâncias tóxicas, inflamáveis e radioativas de baixa intensidade. Essas características conferem aos RSS o caráter de periculosidade, segundo a NBR 10004 (ABNT-SP,1987).
Segundo as normas sanitárias, o lixo hospitalar deve ser rigorosamente separado de acordo com classificação especifica para o qual é caracterizado um tipo de coleta e destinação.
A classificação do lixo hospitalar inclui:
Lixo classe A - Resíduos infectantes - restos de material de laboratório, seringas, agulhas, hemoderivados, Excreções, secreções e líquidos orgânicos, Meios de cultura, Tecidos, órgãos, fetos e peças anatômicas, Filtros de gases aspirados de áreas contaminadas entre outros;
Lixo classe B - Resíduos perigosos – Produtos quimioterápicos, radioativos e medicamentos com validade vencida., e resíduos químicos perigosos (tóxicos, corrosivos, inflamáveis, mercúrio);
Lixo classe C - o mesmo produzido nas residências, que pode ser subdividido em material orgânico e reciclável.
Nesta classificação estão o lixo administrativo, limpeza de jardins e pátios, resto de preparo de alimentos, estes não poderão ser encaminhados para alimentação de animais.
Recentemente observa - se aumento das ações e das políticas voltadas para a gestão de resíduos, com disponibilização de recursos, linhas de crédito e programas públicos para que os municípios se adéqüem a legislação.
Estas ações visam principalmente garantir o correto descarte destes resíduos, pois desta forma , não há riscos para o meio ambiente (com contaminação do solo, de águas superficiais e profundas) ou para a população (em decorrência da ingestão de alimentos ou água contaminada).